06-09-2008
Destaques para a Festa 2008 ( 6 )

Sábado à noite
no Palco 25 de Abril


05-09-2008
Destaques para a Festa 2008 ( 5 )
(se não puder ir, acompanhe aqui a Festa ! )
Não há volta a dar-lhe !
hoje à noite, um grande
acontecimento cultural
A partir das 21 hs, abre no Palco 25 de Abril, a Grande Gala da Ópera, com toda a probabilidade mais uma marcante e inesquecível realização de encanto e magia entre as incontáveis que têm passado por aquele espaço, com árias de Il Barbiere de Seviglia, (de Rossini), de Norma (de V. Bellini), de Rigolletto (de G. Verdi), de Nabucco ( de Verdi), de Carmen (de G. Bizet), de Le Nozze de Figaro ( de Mozart), de Il Trovatore (de Verdi), de Madama Butterfly (de G. Puccini), de Porgy and Bess ( de G. Gershwin), de Aida (de G. Verdi), de La Boehème (de Puccini), de I Pagliacci (de Leoncavallo) , de Turandot (de Puccini), de La Traviata (de Verdi), com a Orquestra Sinfónica do Ginásio Ópera, dirigida pelo Maestro Kodo Iamasgishi, o Coro Lisboa Cantat, dirigido pelo Maestro Jorge Alves, e elenco de cantores do Ginásio Ópera.04-09-2008
Vale tudo e, quando convém, tudo se esquece
Perdoando o

Ontem, na Convenção do Partido Republicano, como se pode ver pela foto extraída do Público, foi exibido desta maneira o actual slogan principal da campanha McCain-Palin COUNTRY FIRST (O PAÍS PRIMEIRO ou PRIMEIRO O PAÍS). Ora acontece que a imprensa americana tem gasto muitas mais palavras com uma questão absolutamente irrelevante em termos políticos - a gravidez da filha adolescente de Sarah Palin - e que um módico de decência mandaria não trazer à colação eleitoral, do que um facto da biografia da senhora Palin que é da esfera política, que não é muito remoto e que não bate nada certo com o slogan Country First.
É que Sarah Palin foi durante seis anos - entre 1996 e 2002 - membro de um partido estadual - o Alaska Independence Party (cujos dirigentes procuram agora baralhar as pistas)- que defendia a secessão do Alaska, ou seja a sua saída dos Estados Unidos da América e, depois disso, já como Governadora enviou a um Congresso desse partido uma muito expressiva saudação (de que existe video).
Pela minha parte, não se trata de defender que um político deve ficar amarrado ao seu passado para sempre mas convenhamos que não é uma pequena coisa na biografia política de alguém que se candidata a Vice-Presidente e, que vencendo o seu «ticket», em caso de morte ou impedimento duradouro do Presidente passará a ser ela a Presidente dos EUA. E isto ainda por cima passa-se dentro das fileiras de um Partido Republicano que se julga e se porta como se fosse o proprietário do patriotismo americano e usa o «patriotismo» como arma de arremesso contra adversários, as mais das vezes sem senso, escrúpulo ou vergonha.
Como escreveu um jornalista norte-americano, o que já não se teria dito de Barack Obama se da sua biografia constasse que, há sete anos, ainda era membro de um partido que defendia a secessão do Estado do Illinois. Apesar da gravidade que este elemento deveria assumir, infelizmente não tenho a certeza de que as coisas sejam bem como se ilustra no primeiro cartoon abaixo de Peter Brookes no Times de Londres.
«Ela é um verdadeiro tiro no braçoda minha campanha»
«Para uso autorizado nos «media» cortar pelo picotado»
«Tenham medo... tenham verdadeiro medo !»
McCain:«Alguns estão preocupados com a sua fraca
experiência no relacionamento com um país estrangeiro»
Sarah:« O Alasca contará, uma vez que
se separe da União ?
À esquerda: «Os Estados Unidos tiveram uma grande
vitória no Iraque. Agora voltamos à nossa história principal. »
À direita: «Nós temos uma grande cobertura do escândalo
da gravidez de Palin».
e, por fim, um cartoon muito mauzinho
(que, como outros, reproduzo a título de
informação e não por concordância)
McCain: «Não, ela não é a minha enfermeira»
03-09-2008
Saber os factos mas ignorar as consequências
O preço do poder
Aqui, no sítio do USA Today, estão disponíveis links para uma série de artigos sobre o papel do dinheiro no processo político americano. Gostaria que eles ensinassem alguma coisa àqueles que, em Portugal, conhecem perfeitamente os factos e realidades neles relatados mas raramente se lembram de integrar nas suas análises as poderosas e decisivas implicações e consequências desses factos e realidades.A própósito da Convenção do Partido Republicano
convenções republicanas
O célebre (por tristes, odiosas e repugnantes razões)
senador Joseph McCarthy discursando
na Convenção Republicana de 1952.
02-09-2008
Destaques para a Festa 2008 ( 4 )
Quando os Lobos Uivam
É sempre tempo...
Hoje passei a gostar
mais de Baltazar Garzón
Durante muitos anos, acompanhei como toda a gente as iniciativas do juiz espanhol Baltazar Garzon em relação a ditadores ou torcionários de outros países e, sem lhes retirar o mérito, sempre me lembrava de que só era pena que já tivessem passado tantos anos porque se não muito teria para fazer no seu próprio país, a Espanha. É pois bem-vinda a notícia de que, atendendo pedidos feitos por associações de familiares dos republicanos assasinados durante e após a guerra civil, Garzon tenha assumido o compromisso de apurar o censo dessas vítimas, o que implica o acesso - que não poderá ser negado - a registos paraoquiais que dependem da Igreja Católica e da sua Conferência Episcopal. (ver notícia completa aqui).
Caveira encontrada numa vala comum emPiedrafita de Babia em 2002
Destaques para a Festa 2008 ( 3 )
[Foi colocada uma Adenda ao «post» A fronteira entre a esperança e as ilusões]
no Auditório 1º de Maio
Não é preciso dizer mais nada:a não perder, às 24 horas de sábado.
01-09-2008
Rússia, Europa... e Estados Unidos
O bom senso não está na moda

No mesmo sentido essencial, registe-se entretanto esta passagem do artigo de Eduardo Lourenço no Público de hoje:«(...) Tudo é americano, mesmo o que não parece ou não devia sê-lo. Não admira por isso que a maior parte da imprensa europeia tenha enontrado, num ápice, os reflexos, as imagens, os clichés mais estafados (e outrora justos ou justificáveis) da antiga guerra fria, com o mesmo Moscovo no papel óbvio do mau da fita. Basta ler a maioria dos jornais portugueses para o constatar. Mas não são os únicos. Como de costume, o olhar mais isento sobre os actuais acontecimentos vem-nos de Inglaterra, o único país europeu, apesar de relativizado no tabuleiro mundial, que ainda merecerá o nome de «potência ocidental». Recentemente, um historiador de Oxford lembrou com pertinência que o actual conflito pouco tem a ver com a grelha de leitura da antiga guerra fria e que o Ocidente faria bem em ter isso em conta. A situação seria comparável à das Malvinas, que a imprensa ocidental nunca diabolizou.» (....) Não temos que escolher entre os Estados Unidos e a Rússia, ou digamos, entre Walt Whitman e Tolstoi. Mais nos importa partilhar à nossa maneira a visão epicamente universal do destino humano de que ambos foram exemplo. E, antes disso, ou a par disso, lembrarmo-nos da nossa "velha Europa", mãe de todas as utopias universalistas, e hoje, entre parênteses de si mesma, sem mais projecto que a pretensão de arbitrar «à la petite semaine», e segundo o impulso dos seus Napoleões virtuais, conflitos que já não estão à altura da sua fraqueza. Ainda por cima, como criada de quarto pressurosa e impotente do único dono do universo». (sublinhado meu).Destaques para a Festa 2008 ( 2 )
Rogério Ribeiro
Festa do Avante!, foto dos anos 80]
No ano em que desapareceu do nosso convívio,
com uma exposição de dezenas das suas obras no
Pavilhão Central, a Festa do Avante! homenageia
o grande artista plástico Rogério Ribeiro,
ele próprio desde sempre um destacado obreiro
desta incomparável Festa e da sua singular identidade.
Um livro estrangeiro por semana ( 21 )
Lettres e Carnets
de Hans e Sophie Scholl
Editions Tallandier, 21,85 E.Apresentação do editor: «Em 23 de Fevereiro de 1943, Hans Scholl (nascido em 1918) e a sua irmã Sophie Sholl (nascida em 1921) eram guilhotinados com o seu camarada Christoph Probst. Algumas semanas mais tarde, três outros membros da «Rosa Branca» [ grupo católico antifascista] o professor Kurt Huber e dois outros estudantes, Willi Graf et Alexander Schmorrel- conheciam a mesma sorte. O seu crime ? Ter pintado «Viva a Lberdade» nas ruas e distribuído panfletos na Universidade de Munique apelando aos alemães para a resistência, invocando Schiller, Fichte, Lao-Tseu et Goethe, e ter denunciado o crime cuja cukpa seguirá para sempre o povo alemão: « Depois da ocupação da Polónia, trezentos mil judeus deste país foram abatidos como animais. É o crime mais abominável perpetrado contra a dignidade humana e nenhum outro na nosssa história lhe poderá ser comparado». Em diversas cidades da Alemanha , outros seguiam já o seu exemplo. Idealistas, sérios mas também muito sensíveis às alegrias do mundo, Hans e Sophie Scholl, ele estudante de medicina, ela estudante de filosofia, tinham começado por juntar-se às Juventudes Hitlerianas com o fervor de crianças da sua idade e um entusiasmo romântico. Mas esta adesão foi de curta duração. Reforçando-se o ataque de Hitler sobre a sociedade, ganhando terreno a submissão dos adultos, tornando-se sufocante o manto de chumbo do conformismo obrigado, multiplicando-se as atrocidades, estes jovens saíram da adolescência com a convicção de que deviam levantar a voz contra um regime assassino. Salpicados de comentários sobre a sinistra progressão da campanha de Hitler, estas cartas e apontamentos, de 1937 a 1943, misturam as mensagens veladas sobre o curso de uma guerra na qual eles desejavam ardentemente a derrota do seu país e as suas evocações bucólicas e reflexões sobre Goethe e Dostoievski, Claudel, Bernanos e Léon Bloy. Os pedidos aos parentes alternam mesmo con as apóstrofes a Deus que eles não deixam de interrogar sobre o mistério do mal alimentando-se de Pascal e de Santo Agostinho. Das suas notas sobre as actividades colectivas, os trabalhos obrigatóruos para os jovens, a estadia de Hans na prisão, o internamento do pai, os amigos feridos na frente, desprende-se uma rara pintura do contrário do cenário nazi. Da cobardia dos adultos, dos compromissos, das humilhações, eles não deixaram escapar nada e não queriam deixar passar nada. Convencidos de que Hitler destinava o seu povo à morte, eles pensavam simplesmente que mais valia morrer pela dignidade e salvar a honra dos alemães. Testemunha de um intinerário espiritual, esta recolha de cartas e apontamentos intímos, de retratos, de reflexões e de artigos, é também um documento histórico fora de série sobre a recusa da mentira na Alemanha nazi.»

Hans Scholl, Sophie Scholl e Christoph Probst.
Sophie Scholl (representada pela actriz Julia Jentsch),
enfrentando o tribunal nazi no filme
Sophie Sholl- Os Últimos Dias realizado em 2005
por Marc Rothemund.
31-08-2008
Sarah Palin no «ticket» de McCain
Por detrás da
atraente governadora

Para além de nem todos os sectores republicanos terem gostado da escolha (o já esquecido Dan Quayle - célebre campeão de calinadas na vice-presidência- apenas disse «Palin? Quem é?», é claro que comentadores avisados (como Costa Ribas na SIC) argumentam que essa ambição não tem pernas para andar pois Sarah Palin tem um perfil político tão conservador (talvez ainda mais que McCain) que a distanciam clamorosamente das eleitoras e admiradoras de Hillary. É o que veremos. Existem, entretanto outras interpretações: como a da jornalista Ann Hulbert que, na slate.com, sustenta que o verdadeiro objectivo desta escolha é captar o voto dos evangélicos lembrando, a este respeito, que James Dobson, Presidente do Focus of The Family Action, que tinha declarado não pode apoiar McCain, já mudou de posição depois da escolha de Palin.
Mas, em qualquer caso, o que é verdade é que Sarah Palin faz o pleno dos valores e causas mais conservadoras, começando pelas suas opções sobre a questão (da legalização ou não) do «aborto» (na imprensa americana posições como a dela são qualificadas como «pro life»
Para além disso e de outros seus posionamentos, Sarah Palin é, em sentido literal (ramente usado), verdadeiramente «uma mulher de armas», na medida em que é um empenhado membro de um dos «lobbies» americanos mais influentes, mais reaccionários e mais desregulados da mona que se dá pelo nome de National Riffle Association. «Lobby» que se sentiu recentemente mais fortalecido ainda pela íncrivel sentença do Supremo Tribunal que recusou qualquer forma de atenuação ao disposto na 2ª Emenda à Constituição Americana, a partir de uma sua leitura parcial (apenas o 2º parágrafo e não o 1º) e, em qualquer caso, no rídiculo esquecimento de que aquele texto data do tempo em que as armas mais mortíferas eram as escopetas de carregar pela boca.
Em tempo: nada do que atrás se escreveu tem origem ou é da família daquelas concepções que, volta não volta, só para o exercício por mulheres de altos cargos políticos lhe associa exigências respeitantes à sua orientação política, sem que nunca tal se faça em relação aos homens.


pelo voto e nem precisa, nos seus "outdors",
de exibir as suas preferências eleitorais. Explícita ou
implicitamente, essa parte fica para os discursos
dos seus dirigentes e para outras formas de propaganda.
A fronteira entre esperança e ilusões
Para mais tarde recordar ?
Manchete do Público de ontemEmbora só com as tímidas observações que virão lá mais para a frente me arrisque a estar a enfrentar um combóio em alta velocidade, só me apetece dizer que sei muito bem quanto os povos precisam do sal da esperança, que compreendo relativamente bem o movimento de fundo de uma parte da sociedade americana que permitiu a Obama chegar onde já chegou e que, ponto importante que devia ser evidente, aqui de longe compartilho dessa aspiração de os EUA não terem mais quatro anos de bushismo quase tão bolorento como o dos últimos oito.
Entretanto, ao contrário de tantos outros à esquerda, também digo que convém fazer um esforço para demarcar a fronteira entre a esperança e as ilusões, que convém mobilizar a informação, a memória e o espírito crítico necessários para compreender que, só por si, mesmo que porventura o desejasse (o que não é o caso) nenhum messiânico candidato pode apagar os constrangimentos, limitações e subordinação a interesses que são estruturais no sistema económico e no sistema político norte-americano, que a derrota de Mc Cain não são favas contadas e que os numerosos «flip-flops» que Obama já deu não podem ser riscados das análises e ponderações só por causa da beleza, convicção ou magnetismo de um discurso, onde, a meu ver, faltaram referências a assuntos fundamentais (ler aqui o artigo It's the Constitution, stupid de Dahlia Lithwick que inclui a referência que apenas John Kerry teve a coragem de falar de Guantánamo na Convenção de Denver) que não poderiam faltar se a perspectiva fosse a de uma real ou significativa mudança ( the «change») na política interna e externa norte-americana.
democrata e à lógica do sistema político americano, não duvido que estamos perante algo de substancialmente novo. Que não pode ser lido com os óculos do costume.» A isto, eu poderia responder que «óculos do costume» é uma expressão que se aplica magnificamente ao periódico deslumbramento (por vezes
manifestamente acrítico) de parte da esquerda europeia com alguns candidatos democratas às presidenciais americanas, seguido em regra por não poucas e amargas desilusões. Mas não vale a pena prolongar esta controvérsia não só porque cada um acha sempre que tem óculos mais modernos que os outros como sobretudo porque, se Deus quiser, cá estaremos para ver, embora alguns estejam cá para, mais uma vez, se esquecer. De qualquer modo, informo que os meus óculos são mais do género da primeira imagem e que, para este tema, não me apetece nada usar o modelo da segunda imagem.30-08-2008
Porque hoje é sábado ( 81 )
Norah Jones
a extraordinária cantora norte-americana
Norah Jones, cujo ultimo álbum, de 2007,
se intitula Not Too Late. Aqui
(clicando em "media" e depois no gira-discos)
pode ouvi-la em Come Away With Me,
Seven Years, Creepin'In, Carnival Town,
It's Not Tou Is me, Roly Poly, Until The End
e Sinkin' Soon.
E, clicando no televisor, pode ter acesso
a diversos videos de Norah, como por exemplo
Don't Knouw Why, Thinking About You,
Sunrise e Those Sweet Words.
29-08-2008
Fotos de ontem e para sempre ( 49 )
Francesca Woodman
(1958-1981)

Texto extraído de www.photographie.com: «Que peut on dire ou savoir d’une jeune fille qui se donne la mort à 22 ans?Dans le cas de la photographe Francesca Woodman, juste quelques mots… mais tellement suffisants.Elle trouve la mort en 1981, en se jetant de son loft de l’East Village (NYC), elle est issue d’une famille d’artiste et se met à pratiquer la photographie à 13 ans. Ses premiers travaux sont déjà remarquables et remarqués.Ainsi malgré l’apparition occasionnelle de quelques amis, elle préfère se mettre en scène… question pratique, elle est toujours disponible. Souvent nue, elle réduit son corps au véhicule de ses émotions tourmentées, devenant une des pionnières de l’Avant-Garde Féministe des années 70 et 80 telles Cindy Sherman, Karen Finley ou Nan Goldin. Une blessure s’échappe de ses images puissantes, personnelles, fragments de corps anonymes. Dans une de ses premières images, elle accroche à ses tétons des pinces à linge, plus tard elle s’enduit de poussière et de peinture, bande ses jambes de scotch ou encore s’enroule dans des lambeaux de papiers peints. Pour décor, des squats dépouillés et sordides. Son corps mis à nu, réduit à l’état brut de ses émotions, se retrouve désormais captif sur du papier négatif, qui la détermine telle une icône mythique».
28-08-2008
Uma revelação em primeira mão
Carta (*) do director
do Eurostat a José Sócrates
Mão amiga que, por razões compreensíveis, pretende ficar no anonimato, fez-me chegar uma cópia de uma carta recentemente enviada ao primeiro-ministro português pelo director-geral do Eurostat e que reza assim:Caro Senhor primeiro-Ministro:
[C/ conhecimento ao Ministro do Trabalho e da Segurança Social, aos Presidentes do INE e do IEFP e ao Prof. Vital Moreira]
Excelência:
Lamentando desviar por uns minutos a atenção de V. Exa. de assuntos seguramente mais prementes e importantes, não posso deixar de lhe dar nota da surpresa e até intranquilidade que têm causado na secção do Eurostat que trata dos dados sobre o desemprego a ímplicita desvalorização e desprezo pela taxa de desemprego em Portugal em benefício da alegação do número de novos empregos criados durante o seu governo e do recurso à justificação do aumento da população activa como formas de demonstrar que o seu governo estaria à distância de apenas 17 mil novos empregos para cumprir uma promessa eleitoral feita em 2005.
Neste sentido, é meu dever informá-lo que, sendo certo que o governo português é livre de «decretar» verbalmente a inutilidade, o fim ou a morte dessa tradicional referência chamada «taxa de desemprego», já entretanto o Eurostat não poderá deixar de continuar a divulgar essa taxa quer quanto ao seu valor médio no conjunto da União Europeia quer na sua desagregação pelos países-membros. E, ao mesmo tempo, chamo a atenção de V. Exª para que este organismo não considera viável ou possível passar a colocar asteristicos à frente das taxas de desemprego de cada país que remetessem para a explicação sobre se aí houve ou não aumento da população activa.
A circunstância de dirigir um organismo dependente da Comissão Europeia impede-me naturalmente de fazer referências que possam ser tidas como uma interferência no debate político em Portugal. Mas, se não fosse essa a situação, caberia então lembrar a V.Exª que nas suas críticas aos números do desemprego durante o governo que antecedeu aquele a que preside, ninguém se lembra de ter desprezado a taxa oficial de desemprego, de invocar algum eventual aumento da população activa ou de se ter deixado impressionar com o número de novos empregos criados durante o anterior governo, o que certamente também terá acontecido, pois como não deixará de saber, em regra, mesmo em situações de crise ou estagnação ecónomica há quase sempre criação, embora insuficiente, de novos empregos.
Por fim, informo V.Exa. de que, como era meu dever face às incertezas sobre o futuro do seu trabalho por parte dos especialistas e técnicos que no Eurostat trabalham sobre os dados do emprego e desemprego, lhes tenho garantido que a continuidade do seu trabalho não está em risco, além do mais, porque o Eurostat depende da Comissão Europeia e não do Conselho Europeu. Neste sentido, creio que V. Exa. se terá de conformar com o prosseguimento da publicação ou divulgação de quadros como o que anexo já de seguida.
Desejando a V. Exa. as maiores felicidades pessoais e os maiores êxitos governativos, subscrevo-me com elevada consideração.
2008.08.20
Hervé Carré
Director-geral do Eurostat

Há 45 anos em Washington
O I Have a Dream
de Martin Luther King
Manifestantes cantam o We Shall Overcome
Harry Belafonte e Burt Lancaster no protesto
Mais uma vez, fotos da Magnum
Reino Unido - Ken Kilbey, 1977. BUENOS AIRES, Argentina—Um agricultor, 1997.
Ah, os dias da rádio...
Zena Koo, da Magnum, produziu para a Slate.com mais uma selecção de fotografias extraídas dos inesgotáveis arquivos daquela agência, desta vez evocando em instantâneos de grande beleza e diversidade o papel e desenvolvimento nas nossas sociedades de um meio de comunicação que, se é certo que resistiu - e ainda bem - ao aparecimento da televisão, representa para gerações mais velhas a recordação de uma grande e incomparável companhia na vida familiar e social. Aqui ficam cinco dessas fotos podendo a selecção completa ser vista aqui.
reformados ouvem a rádio, 1950.
© Herbert List / Magnum Photos
um rádio no deserto de Negev,1967.
© Leonard Freed / Magnum Photos
a Radio Budapeste num receptor auto-construido
[eu ainda ouvi rádio numa coisa assim que
em Portugal se chamava galena].
© Werner Bischof / Magnum Photos
© Chris Steele-Perkins / Magnum Photos
© Alessandra Sanguinetti / Magnum Photos
27-08-2008
Eleições e fraudes
Também tu, velha Albion ?
Por puro acaso, já depois do «post» anterior sobre as preocupações com a fraude eleitoral nos EUA, descubro que também no Reino Unido parece haver sérios problemas nessa matéria, conforme desenvolvida notícia que encontrei no timesonline e que pode ser lida aqui.É certo que é prudente ter em conta que o Times é um jornal conservador, usa este tema como arma de arremesso contra os trabalhistas e os principais exemplos de fraude comprovada que apresenta teriam beneficiado candidatos trabalhistas. Mas o jornal, para além de estudos internos e de avisos da própria Comissão Eleitoral nacional, cita um relatório do Conselho da Europa segundo o qual as eleições britânicas são «infantilmente simples» de manipular desde que os trabalhistas, a pretexto de combater a abstenção, deram a toda a gente o direito ao voto por correspondência sem salvaguardas.
A este respeito, e sabendo que a afirmação pode ter foros de escândalo, sinto-me no direito de desabafar que este tema das fraudes eleitorais, sem discutir agora a sua dimensão ou reflexos, tem sido absolutamente tabu em Portugal quando talvez houvesse alguma matéria para investigar.
E escrevo isto porque não tenho nenhuma dúvida de que, em centenas de mesas eleitorais do centro e do norte do país, nem mesmo o PS tem condições de militância ou implantação activa para a fiscalização dos resultados dessas mesas pelo que suspeito que nelas membros do PSD farão o que muito bem quiserem. E só ficarei mais descansado no dia em que um conjunto de jornalistas, em segredo, seleccione um conjunto de mesas em aldeias de maior influência da direita, façam o sacrifício de discretamente se sentarem numa cadeirinha perto da assembleia de voto, registarem rigorosamente quantas pessoas nela entraram para votar e depois compararem esses seus números com os números de votantes divulgados no fim da votação.
Porém é de esclarecer - um engano acontece a qualquer um - que não é exacto que, como escreve Rui Tavares, «Al Gore e John Kerry ficaram a poucos votos de ganhar». A não ser que Rui Tavares esteja a falar dos votos no Colégio Eleitoral onde, de facto, Kerry teve em 2004 apenas menos 35 votos (em 538) do que Bush. Mas se falarmos de votos populares, a verdade é que John Kerry teve menos 3 milhões de votos que George W. Bush enquanto que em 2000 Bush foi eleito Presidente com menos 300 mil votos que Al Gore.
E, a respeito desta história pregressa, aproveito para escrever uma coisa que nunca vi escrita em lado nenhum ; é que, em 2004, esteve-se à beira de um absurdo e de um escândalo ainda maiores do ponto de vista numérico, mas de sentido político contrário ao ocorrido em 2000. É que John Kerry teve menos 3 milhões de votos que G.W. Bush mas se tem ganho no Estado do Ohio, para o que só teria precisado de mais 150 mil votos, teria sido ele o Presidente eleito. Em conclusão, parece pois que nas «grandes democracias» há uns «pequenos» problemas democráticos.
26-08-2008
Não sorriam porque lá há quem ache que o assunto é sério
Desconfianças com o
voto electrónico nos EUA
Aqui na Marianne online, é possível ler um interessante texto que dá conta das preocupações que significativos círculos de opinião democrática manifestam em relação à forma como nos EUA tem funcionado o voto electrónico e que chama a atenção para «o documentário Stealing America, [«Roubando a América»]estreado em 22 de Agosto nos EUA, que enumera um número inquietante de disfuncionamentos constatados nas eleições que opuseram em 2004 John Kerry a Georges W. Bush e coloca abertamente a questão do carácter «democráatico» de um país onde um número incálculavel de eleitores vêem o seu voto ignorado.»Marianne destaca também que « acompanhando sentido do documentário, o sítio na Net da organização Stealing America co











